24 May 2014

A observação como forma de entender o clima e o tempo


O QUE É TEMPO E O QUE É CLIMA ?

Muitas vezes há uma confusão entre os significados dos termos TEMPO e CLIMA, sendo tratados como sinônimos, no que se refere às condições meteorológicas. Embora relacionados, tem significados distintos.


Conforme disponível no blog Vozes do Verbo (clique aqui para acessar o texto completo), o tempo refere-se ao estado momentâneo das condições atmosféricas que ocorre em um determinado local, podendo variar de maneira mais ou menos rápida. Basta observarmos que, pela manhã, o tempo pode estar ensolarado, a tarde nublado e a noite pode chover.

Para o CEMBA (Centro Estadual de Meteorologia da Bahia), o tempo é o
"conjunto das condições atmosféricas e fenômenos meteorológicos que afetam a biosfera e a superfície terrestre em uma escala de tempo (cronológico) e em um determinado local." A temperatura, umidade (nebulosidade, nevoeiro, chuva) vento (e as diferenças de pressão) etc. formam o conjunto de parâmetros do tempo.

Não cabe nesse momento destacar e pormenorizar as diferenças entre os elementos e os fatores do clima, já que se trata de um conteúdo de séries escolares posteriores. Para quem quiser ter uma noção sobre essa questão, acesse o site uol, clicando aqui.

Para o Jornal do Tempo Uol, o  tempo se refere ao "estado instantâneo da atmosfera a qualquer momento, incluindo temperatura, precipitação, pressão do ar, nebulosidade, etc. Sendo assim, a previsão de tempo é uma projeção para um futuro próximo (de algumas horas a até 15 dias) baseada em cálculos matemáticos chamados modelos numéricos", análise de imagens de radar, entre outras tecnologias e saberes.

O Clima, por sua vez, é o estado médio da atmosfera em um determinado período. A OMM - Organização Meteorológica Mundial –  da Organização das Nações Unidas – ONU, considera um período mínimo de 30 anos de dados para gerar uma climatologia.

O clima é regido pela energia solar e pela forma (geoide) da terra e compreende os diversos fenômenos climáticos que ocorrem na atmosfera. No sentido original, clima é um conceito usado para dividir o mundo em regiões que apresentam parâmetros climáticos parecidos. As regiões climáticas podem ser classificadas com base principalmente na temperatura e nas precipitações. 

Exemplificando a importância do clima, podemos dizer que embora fatores como relevo  e solo influenciem, o clima exerce grande influência na definição dos biomas. Por exemplo: na região de abrangência do clima semi-árido, no sertão nordestino, encontramos a Caatinga. Na área de abrangência do clima equatorial, no Norte do Brasil, encontramos a floresta amazônica, ombrófila densa, também chamada de floresta equatorial, assim como a Floresta do Congo, no Continente Africano. Que tal pegar o mapa múndi e observar qual a relação entre a floresta amazônica e a floresta do Congo ?

Dessa forma, quanto maior a escala de abordagem do clima, menos detalhes e nuances podem ser representados. Basta notar, por exemplo, que um mapa com os tipos climáticos globais não consegue representar todas as especificidades que um mapa regional ou local apresenta.


A figura a seguir, por exemplo, ilustra os principais tipos de clima globais. De acordo com essa imagem, no Brasil predomina o clima tropical e apenas mais dois tipos climáticos ficam visíveis.


Principais climas do mundo

Da mesma forma, se observarmos a figura abaixo, que contempla apenas o território brasileiro, podemos perceber que figuram pelo menos 6 tipos de climas. Ou seja, em uma escala maior (representando no mapa um superfície menor), podemos perceber maiores detalhes.

Destacando que essa climática é de Lysia Maria Bernardes. Outros pesquisadores podem apresentar outras classificações, dependendo dos parâmetros que eles considerarem (temperatura, precipitação, etc.)

Climas brasileiros - Classificação de Lysia Bernardes
Da mesma forma, se pegarmos o clima do estado do Paraná, que no mapa acima está apresentado sob a influência do clima subtropical, poderemos ver maiores detalhes.

Entretanto, a preocupação com o presente trabalho não é descrever os tipos climáticos, mas sim se concentrar na distinção entre clima e tempo, especialmente de modo que os alunos possam compreender que apesar das variações rápidas do tempo, o padrão climático permanece.

Por exemplo: independente das variações diárias, semanais, etc. o padrão climático do clima equatorial é alta pluviosidade durante o ano (média de 2.500 mm), quente, em média 25º C, com pouca variação durante o ano, úmido em virtude da alta evaporação, etc. Mesmo que hoje chova durante 3 dias seguidos ou que não haja chuva durante uma semana, o clima é o mesmo: equatorial.

DOS CONCEITOS À OBSERVAÇÃO EMPÍRICA

Assim, surgiu a ideia de trabalhar com os alunos do 5º ano as variações do TEMPO METEOROLÓGICO no decorrer de um mês, tabelando uma série de dados. Primeiramente, o intuito do trabalho era sair da abstração e trazer a experiência concreta para dentro da sala, facilitando o entendimento dos alunos a respeito dessa temática.

Paralelamente, não se pode deixar de considerar a influência do tempo e do clima nas mais diversas atividades humanas, gerando efeitos inclusive nas relações socioeconômicas. Assim, por exemplo, ao trabalhar a questão do tempo meteorológico integrada à agricultura, abre-se o leque para uma série possibilidades.

É possível aos alunos avaliar a importância do saber do saber popular, entender que o conhecimento científico e sistematizado é também uma construção social. Dar subsídios para a reflexão a respeito do distanciamento do homem da observação direta dos fenômenos naturais, os quais afetam o modo de vida. Essa abordagem ambiental de recolocar o homem, de forma consciente, como elemento integrante da natureza, o define como sujeito ativo e responsável pelos problemas socioambientais (sócio porque são em grande parte criados pelo homem em suas relações sociais). Enfim, são N as possibilidades de se integrar e de se trabalhar interdisciplinarmente a temática climatológica, seja no viés econômico, ambiental, social, científico, etc.

Além disso, ao possibilitar ao sujeito apropriar-se de múltiplos conhecimentos, tornando-o mais aberto para a relação com o outro, se  favorece a percepção de mundo, e o entendimento das relações entre sociedade e natureza, tornando-o sujeito ativo do meio em que está inserido.

CONSTRUÇÃO DE INSTRUMENTOS ARTESANAIS E A APLICAÇÃO DE CONHECIMENTOS PARA UTILIZA-LOS

Para tanto, foi planejada a construção de um instrumento (no caso, artesanal) denominado biruta. Sua função é apontar a direção do vento e dar uma noção da sua intensidade, já que para medir esse parâmetro com maior precisão seria necessário um anemômetro.


Rosa dos ventos
Para utilizar corretamente a biruta, os alunos terão que aplicar os conhecimento já adquiridos de orientação. Dessa forma, sabendo o lado do aparente nascer do sol, os alunos definiram onde fica o Leste, ponto cardeal a partir do qual poderão determinar os demais pontos da rosa dos ventos. Para ter uma localização mais precisa dos pontos cardeais, se valendo do Norte magnético da terra, é possível também que os alunos se utilizem de uma bússola, instrumento de preço bastante acessível ou confeccionar uma bússola artesanal.


LOCALIZAÇÃO E ORIENTAÇÃO

Cabe abrir um parêntese nessa questão e caracterizar a diferença entre orientação e localização no espaço geográfico. Grosso modo, a orientação diz respeito aos pontos cardeais e colaterais, enquanto que a localização diz respeito a determinar a posição de determinado objeto na superfície terrestre, seja através de seu endereço (bairro, rua, número), seja através das coordenadas geográficas (latitude e longitude).


Embora estejamos no período de inverno, uma das características de nosso clima subtropical que os alunos poderão perceber é a grande amplitude térmica. O que é amplitude térmica ? 


ENTENDENDO A AMPLITUDE TÉRMICA

Amplitude térmica é a diferença entre a maior e a menor temperatura de um determinado dia do ano. Exemplo se a temperatura máxima foi de 36°c e a mínima de 25°c, a amplitude térmica desse dia será de 11°c, já que 36º - 25º = 11º. No caso da amplitude térmica diária, refere-se à diferença entre a temperatura máxima e mínima de um dia.

Para saber a temperatura do ambiente, entender e calcular a amplitude térmica, é relativamente simples. O instrumento que será utilizado pelos alunos para se chegar a esses dados será o termômetro. Com ele, será possível observar as variações de temperatura ocorridas ao longo do tempo. Se quiser saber o que é e como funcionam os termômetros, clique aqui.


OUTROS PARÂMETROS OBSERVÁVEIS E O SABER POPULAR


Além disso, serão tabelados outros parâmetros. Os alunos observarão também o aspecto do céu, permitindo verificar o nível de nebulosidade. Embora não contemple os objetivos do trabalho, possivelmente os alunos acabarão percebendo os diferentes tipos de nuvens. Caso haja curiosidade em entender um pouco mais sobre o processo de evaporação, de formação das nuvens, os tipos de nuvens e suas características, clique aqui e acesse um breve conteúdo no blog Vozes do Verbo.

É preciso destacar que hoje, com o auxílio da tecnologia, podemos ter acesso à previsão do tempo para os próximos dias (quanto mais longe no tempo a previsão, menor sua precisão). Com isso, diversas atividades humanas, como por exemplo, a agricultura, a pesca, as festividades, etc. podem se beneficiar das previsões e planejar o melhor período ou momento para a execução de suas atividades. Entretanto, nem sempre foi assim. É comum ouvirmos das pessoas mais velhas, comentários a respeito do tempo meteorológico, como por exemplo: 

- Será que chove ? 
E com uma rápida olhada para o céu, com a atenção para o direção do vento, entre outros fatores, surge a resposta:
- Não, vai esfriar nos próximos dias !
Mas como isso ocorre ?

Embora não tenha a precisão ou o rigor científico, estas observações podem ser válidas, ou no mínimo, não podem ser desprezadas. Os instrumentos e equipamentos tecnológicos nada mais fazem do que ampliar a capacidade humana de observar e registrar com maior precisão fatores já observados e transmitidos oralmente pelo homem há muito tempo, entretanto, com agora com maior capacidade de explicar as causas e os efeitos de forma científica, racional e não mística, graças aos conhecimentos socialmente construídos e sistematizados. 

Por exemplo: Alguém já observou os "galos do tempo" ? É um pequeno enfeite, que quando o tempo está bom, ele fica azul. Quando o tempo está para chuva, ele fica rosa. Ele não tem nenhum poder mágico de adivinhar o tempo. Ocorre que ao longo de sua experiência, o homem descobriu que o sal iodeto de cobalto tem a propriedade de ficar rosa quando está hidratado e azul quando está anidro - anidro é um termo geral utilizado para designar uma substância de qualquer natureza que não contém, ou quase não contém, água na sua composição.

Sabendo que quando o tempo está para chuva, há um maior percentual de umidade absoluta na atmosfera, ou seja, mais vapor de água, fica fácil entender o porquê do galinho mudar de cor. Mas não confunda umidade absoluta (quantidade de vapor de ar na atmosfera) com umidade relativa do ar, que é a capacidade máxima do ar, em determinada temperatura e pressão, absorver o vapor de água sem entrar no ponto de saturação. Mas isso é assunto para outro momento.

Na dúvida, fica um blog de sugestão de leitura. Clique aqui para acessar.

No Nordeste brasileiro, existem os chamados "profetas das chuvas". Através da experiência empírica adquirida ao longo do tempo e da observação atenta dos elementos da natureza (nuvens, vegetação, animais, etc.), eles conseguem prever razoavelmente as condições do tempo, auxiliando no êxito da agricultura da região.

O site Geografia uol, explica essa questão, discutindo até mesmo os ditados populares como forma de explicar o tempo, às vezes de forma correta, às vezes de forma equivocada. Entretanto, o que fica evidente, no caso do semiárido, é que "o sertanejo, por conviver em um ambiente extremamente hostil, desenvolveu uma acuidade detalhada para a observação dos fenômenos presenciados na natureza, em especial para a previsão do tempo e do clima, utilizando como referência o comportamento dos animais, o comportamento da vegetação e a posição dos astros, constelações e nuvens." 

Além disso, é preciso destacar que "desde o início da civilização as observações das condições atmosféricas foram utilizadas para a sobrevivência da espécie humana. Por meio da direção do vento, o caçador primitivo era conduzido a seguir seu destino, conforme relata Wolfe (1963, p. 7-8)"


Por exemplo: muitas vezes quando surge um halo (círculo) ao redor do sol ou da lua, as pessoas de maior sabedoria popular costumam dizer o seguinte provérbio: "círculo longe, chuva perto..." Em parte elas tem total razão.

O halo é formado por pequenos cristais de gelo contidos em nuvens cirrostratus (nuvens altas parecidas com um véu) . Ao se refratar nos cristais de gelo em determinado ângulo, a luz do sol cria esse fenômeno óptico. De acordo com o Epoch Times “o fenômeno é uma boa indicação de que a umidade está descendo para altitudes menores, onde é provável que assuma a forma de precipitação. Um halo é um indicador mais confiável de tempestades nos meses mais quentes do que durante os meses de inverno”..

Se anteriormente as tentativas de previsão do tempo exigiam do homem observação atenta, experiência de vida e o conhecimento repassado de geração em geração, hoje há dispor de praticamente todos uma série de facilidades tecnológicas que garantem maior facilidade e precisão nas observações, ao mesmo tempo que disponibiliza a todos as informações climáticas de forma passiva, ou seja, as pessoas não precisam parar e observar os elementos da natureza, interpretar e entender os seus sinais. Como consequência, pode ocorrer um distanciamento da consciência dos reflexos que as ações humanas podem gerar no ambiente, e consequentemente no tempo e no clima, se refletindo na vida em sociedade.

Hoje basta ligar a TV ou acessar a internet, que podemos ver um apresentador falando sobre a probabilidade de chuva no decorrer do dia, sem sequer sair ao sol observar o céu. Temos acesso ao percentual de umidade relativa do ar sem sequer sair das salas com ar condicionado. Sabemos que vai chover sem se dar conta se no céu há nuvens....Com isso, perdemos a noção de que vivemos em um ecossistema. A palavra sistema, por si só representa a integração dinâmica de diversos elementos interdependentes.

VOLUME E INTENSIDADE DE PRECIPITAÇÃO

Outro parâmetro a ser utilizado na atividade com os alunos é o volume e a intensidade das chuvas, ou seja, a precipitação. Para isso, poderá ser utilizado um pluviômetro para estabelecer o volume ou se valer dos dados históricos das estações meteorológicas disponíveis na web. Para estabelecer a intensidade, será utilizada a observação direta, classificando o volume em 6 critérios pré-estabelecidos: garoa, chuvisco, chuva leve, chuva moderada, chuva forte e tempestade.

Destaca-se que as observações serão registradas pelos alunos diariamente às 10:00 horas da manhã. Além disso, os coordenadores da atividade registrarão os resultados em outros períodos, evidenciando melhor as variações diárias que ocorrem no tempo meteorológico ao longo de um único dia. 

Para desenvolver a atividade também se utilizará do site  "Clima Tempo" e o site do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) para obter dados não possíveis de mensurar diretamente com maior precisão, como a velocidade do vento, etc.



Com relação à velocidade do vento, após determinar a velocidade em km/h nos sites citados, se procederá a classificação (calmo, aragem, brisa leve, vento forte, etc.) conforme a escala de Beautfort, no intuito de estabelecer um parâmetro descritivo para essa medição.

Os dados serão registrados diariamente pelos alunos no período da manhã, na tabela disponível em mural na sala de aula e pelos organizadores do trabalho em outros horários.

Posteriormente, depois que os dados diários forem obtidos, tabelados em Excel®, trabalhados com os alunos e interpretados, este texto será poderá ser retomado para traçar as conclusões obtidas, salientando que o objetivo fundamental do presente trabalho é estabelecer as diferenças entre Tempo (meteorológico) e clima.

BUSCANDO A COMPREENSÃO DOS CONTEÚDOS E SUAS RELAÇÕES COM O SOCIAL

Além disso, a atividade visa ir além da Geografia e de seus conteúdos de climatologia tratados de forma tradicional e separativa, cujos fatores e elementos do clima são interpretados ou mesmo descritos isoladamente, considerando as relações da natureza de forma estática.

Segundo Pontushka (1997) são raros os livros didáticos do ensino  fundamental que trabalham com massas de ar, reforçando a necessidade de preparar o aluno dos 5ºs anos para entender e enfocar o clima por meio da dinâmica atmosférica. Kaercher, (2004) comenta que, apesar de importante o domínio da "Geografia acadêmica"; o processo de ensino-aprendizagem na Geografia necessita  de outros instrumentos que auxiliem as formas de ver o mundo.

Além disso, ao aplicar os conhecimentos climatológicos no dia-a-dia do aluno, vinculando, inclusive, com a importância desses saberes para as diversas atividades humanas, como a agricultura, por exemplo, e seus reflexos na qualidade de vida da população, se reduz a abstração dos conteúdos, tornando mais concreto seu entendimento.

É na agricultura, talvez, em que haja terreno mais fértil para trabalhar com os alunos não só a importância do clima, mas as formas que o homem utiliza para se beneficiar das características climáticas de dada região, como também, das formas que o homem desenvolve para amenizar os efeitos negativos do clima nas atividades econômicas e sociais.

Neste sentido, pode-se trazer a tona a influência do capital como vantagem, justa ou injusta, nas modificações do meio e no aproveitamento de oportunidades. Por exemplo: com investimentos pesados em irrigação, grandes produtos podem se valer de terras outrora impróprias para a agricultura, a preços baixos, contribuindo para a desigualdade fundiária no Brasil, ao passo que, para o pequeno produtor, os reflexos dos fenômenos naturais, como seca, geadas, chuvas, etc. são sentidos de forma mais direta.

Além disso, está nas atividades tipicamente rurais (agricultura,pecuária, reflorestamentos, etc) um dos melhores exemplos de modificação ambiental decorrente da ação antrópica (do homem).

Está também na questão climática (que vai influenciar a questão biogeográfica), parte das explicações para as diferenças regionais, sejam elas ambientais (floresta equatorial é diferente do cerrado e da mata de araucárias), sejam elas econômicas e sociais. Por exemplo.: as atividades realizadas no Nordeste ou Norte são diferentes das realizadas no Sul.

Outro exemplo.: no Centro-oeste há o predomínio de grandes propriedades rurais, enquanto que no sul, há maior número de propriedades familiares. Neste exemplo surge o contraditório: a forma de ocupação e de atividade econômica do sul é diferente em virtude da ocupação, a qual está relacionada com a chegada de um grande número de imigrantes (poloneses, ucranianos, italianos, alemães, etc.), reproduzindo aqui a agricultura familiar policultora. Entretanto, não esqueçamos que o clima do sul do Brasil (subtropical) é o que mais se aproxima do clima da região de origem destes povos, permitindo a reprodução destas culturas, o desenvolvimento de um modo específico de vida, e influenciando na escolha do nosso estado por eles.

Permitirá ainda demonstrar que, apesar das tecnologias utilizadas hoje na ciência climatológica, o conhecimento a respeito do tempo, e por conseguinte, do clima, foi socialmente construído ao longo do tempo, tanto que, com instrumentos relativamente simples, é possível reproduzir o registro de dados, interpretá-los e chegar a conclusões sobre a dinâmica meteorológica.

Posteriormente, dando ainda maior materialidade e compreensão das relações não estanques entre o conhecimento científico e o conhecimento popular, entre as diversas áreas do conhecimento, vistas como matérias isoladas pelos alunos, bem como, aproximando-os da prática social, planeja-se ainda levar os alunos a visitar uma propriedade rural e verificar com os agricultores as influências do tempo e do clima em suas atividades e em seu modo de vida, bem como compreender, de que forma eles se relacionam com os fenômenos meteorológicos, especialmente porque a agricultura, além de ter uma relação estreita com as questões ambientais, tem forte influência econômica e social no município, afetando, inclusive, a merenda escolar.

Essa busca por expansão do espaço de compreensão dessa atividade, bem como essa tentativa de relacionar de forma mais abrangente possível as relações da sociedade e da natureza, se coaduna com a necessidade de trazer aos alunos um conhecimento crítico e de significado real para eles.

Além disso, a própria LDB (Lei 9394/96) em seu Art. 1º expressa que a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem em diversos meios e espaços, não estando limitada aos muros escolares e às avaliações formais de conteúdo, mas mantendo relação com o cotidiano do aluno e com suas interações sociais. Esse contexto é reiterado ainda pelo artigo 3º, incisos X e XI da mesma Lei, que expressa que o ensino deve considerar ainda a valorização da experiência extra-escolar e vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

2 comments:

  1. Trabalho à vista, amigo Haroldo... E vamos lá!!

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  2. É o saber Geográfico presente nos mais diversos campos da atividade humana !

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por HAROLDO J. ANDRADE MATHIAS
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